Search Funds: conheça esse modelo de investimento

Apsis em Artigos Atualizado em 18.02.2020

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Esse tipo de investimento é novo no mercado nacional, mas já desponta como um dos modelos de operações de aquisição

No Brasil, o primeiro search fund surgiu em 2015 e, até o final de 2019, já foram realizaram 6 aquisições no segmentos de software, aluguel de máquinas, logística, distribuição de produtos para saúde, serviços B2B e educação. As empresas adquiridas possuem faturamento na faixa de  R$ 40 a 100 MM e a origem dos principais investidores é: EUA, Espanha, México e Brasil.

Fundamentalmente, esta modalidade de investimento permite que um empreendedor jovem se lance no mercado sem abrir seu próprio negócio. Isso porque ele conta com o suporte dos investidores, que depositam recursos em empresas já estabelecidas, com potencial de crescimento. Logo, o searcher, profissional que buscou a empresa adquirida, torna-se CEO dela e tem direito a uma parte dos lucros.

“Um grande diferencial neste modelo é que os gestores do fundo tornam-se executivos da empresa adquirida.” Diz Marcelo Gomes, sócio do search fund Caatinga Capital. “Por isso, o search fund é ideal para empresários que queiram “passar o bastão”, seja porque querem se aposentar ou porque querem se dedicar a outros projetos”. Complementa Rogério Santos, sócio da Caatinga Capital.

Embora recentes no Brasil, os search funds já consolidam transações nos Estados Unidos desde 1983. 

De acordo com dados da Universidade de Stanford, que criou o modelo em 1984, a média de retorno é de 8,4 vezes do capital aplicado, um  lucro superior ao obtido com outros modelos de investimento.  

Quer saber mais sobre essa modalidade de investimentos? Continue lendo este artigo! 

Search Funds: boa alternativa para searchers e investidores

Essa modalidade de investimento é uma oportunidade para ambos os envolvidos. Para os jovens que desejam empreender, é a chance de gerenciar uma empresa, com a mentoria de profissionais experientes, sem precisar desenvolver um negócio do zero.

Já para o investidor, o search funds é um modelo de aquisição inteligente porque permite investir em empresas de pequeno e médio portes fechadas. Muitas delas são familiares, com potencial, mas sem plano de sucessão. Dentro desta modalidade, quem investe tem participação na governança da empresa e vez para interferir na administração. 

Como o Search Funds funciona na prática?

Para compreender melhor a execução do modelo de aquisição via search funds, o ideal é conhecer as etapas que devem ser cumpridas para concluir a negociação. Confira, a seguir, quais são elas:

Captação de recursos: é nesta fase, que costuma durar entre um e dois anos, que o searcher deve buscar a empresa target, avaliar a sua estrutura e potencial e conduzir toda a negociação com um ou mais vendedores.

Aquisição: esse é o momento de fazer as negociações do contrato de compra e venda, bem como discutir o período de transição dos vendedores e/ou colaboradores. Realizar uma auditoria jurídica e financeira antes de concluir a aquisição é fundamental.

Pós-aquisição: é hora do searcher assumir o papel de CEO/presidente da empresa target, mas não sozinho. Ele precisa do suporte dos seus investidores iniciais, que devem participar do conselho de administração, principalmente nos primeiros anos. 

Desinvestimento: nas aquisições feitas via search funds é possível escolher entre realizar ou não o desinvestimento após o período de 5 a 7 anos.

Search funds: cenário internacional e estatísticas

Essa modalidade de investimento vem despertando particular interesse nos jovens profissionais, de acordo com o estudo publicado na Stanford Business. De todos os search funds registrados em 2016 e 2017, um quarto foi arrecadado por empreendedores no prazo de um ano após a graduação de um programa de MBA. 

Além deles, pesquisadores de carreira intermediária também começaram a se interessar pela modalidade. Empresários com pelo menos oito anos de experiência profissional pós-MBA representaram 16% de todos os fundos de pesquisa arrecadados em 2016 e 2017, em comparação com 10% em 2014 e 2015 e 4% em 2012 e 2013.

Além disso, vale ressaltar que a modalidade tem iniciativas de sucesso, sim, mas esse não é um padrão.

O estudo da Stanford avaliou 325 search funds. Desses, 86 estavam procurando uma aquisição em 31 de dezembro de 2017 e seis haviam desistido da busca, optando, por exemplo, por direcionar o capital para iniciar uma nova empresa em vez de adquirir uma. Os outros 233 concluíram o processo, sendo que 69% (160) adquiriram uma empresa e 31% (73) encerraram a pesquisa sem uma aquisição. 

Das 160 empresas adquiridas, 90 ainda estavam operando com investidores originais de fundos de pesquisa (sete tinham dados de retornos insuficientes) e 70 haviam saído. Dos que haviam saído, 43 apresentaram retornos positivos para os investidores e 27 saíram com uma perda de capital. 

 

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