A síndrome do pica-pau Sem educação, nossa sociedade estará exposta a toda sorte de males

Luiz Paulo Silveira em Apsis na mídia Atualizado em 28.09.2017

Inovação e educação são as chaves para o desenvolvimento, isso é fato. Como benchmarks desta máxima, basta citarmos os Estados Unidos e nações que fizeram bem o dever de casa, como a China e a Coreia do Sul. Podemos comparar, por exemplo, a posição de cada um destes países no último ranking mundial de empresas inovadoras, divulgado anualmente pela revista Forbes, e a posição dos mesmos no ranking do nível de educação entre os adolescentes de 15 anos nos 75 países monitorados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE ). O campeão Estados Unidos lidera a lista com nada menos do que 49 das 100 empresas campeãs, enquanto que a educação de seus adolescentes ocupa a 31ª posição.

China, por sua vez, possui sete empresas no ranking. Porém, está correndo atrás do prejuízo: seus adolescentes conseguiram a 10ª posição no ranking de educação, bem à frente dos americanos. A Coreia do Sul apresenta um bom desempenho, com adolescentes bem classificados, em 9º lugar. Já o Brasil aparece no ranking de inovação com apenas uma empresa e quase desaparece na classificação de educação, em 63º lugar.

Isso nos traz um claro sinal de que a nossa capacidade de competir em um cenário de economia global está seriamente comprometida. Bom para nossos filhos? Certamente não. Na verdade, uma péssima herança.

A corrupção, por um outro lado, tem demonstrado ser uma doença endêmica da sociedade brasileira. Em países democráticos, esse câncer só se propaga às custas da ignorância e da falência geral do sistema educacional – impondo uma miopia progressiva tanto na população desocupada quanto na mão de obra qualificada.

Vejamos aqui o caso dos auditores e avaliadores independentes, fundamentais para o desenvolvimento do mercado de capitais. As grandes empresas brasileiras que se encontram atualmente envolvidas em escândalos de corrupção são, pasmem, todas auditadas. E sem ressalvas no parecer! Obras são contratadas em contratos superfaturados. Companhias são avaliadas muito acima do seu valor de mercado. Enfim, os corruptores ativos aproveitam-se da ignorância do sistema – que fica completamente cego.

A falta de qualificação no ensino, principalmente nas empresas de serviços, favorece a contratação de mão de obra “com diploma” cada vez mais deficiente e despreparada. Ou seja, os famosos “pica-paus” das empresas de auditoria já não picam ou enxergam mais nada. E as empresas de avaliação? O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua equipe ministerial e de assessores diretos foram no mínimo irresponsáveis ao mudar o padrão contábil brasileiro, baseado no custo histórico, para o padrão internacional, baseado no valor justo.

DCI



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