Empresas honestas lucram mais Saiba porque as práticas de compliance ajudam a evitar gastos, aumentar a competitividade e melhorar o clima organizacional

Apsis em Apsis na mídia Atualizado em 20.03.2019

Se, há uma década atrás, fosse feita uma enquete nas empresas brasileiras perguntando aos executivos o significado de “compliance“, provavelmente haveria poucas respostas corretas. Entre 2012 e 2014, apenas 24% das companhias nacionais aderiam a algumas das práticas, segundo a pesquisa Integridade Corporativa no Brasil, realizada no ano passado pela Deloitte e a International Chamber of Commerce – Brasil (ICC Brasil).

Atualmente, a palavra adotada internacionalmente para sinalizar o cumprimento das leis, das normas e dos requisitos numa empresa (a lei brasileira usa a palavra “integridade”), é bem mais familiar, já que o percentual de adesão às práticas chegou a 46% entre 2015 e 2017.  E a perspectiva é que, em 2020, quando o engajamento deve chegar a 65%, o termo seja tão recorrente no vocabulário corporativo quanto a palavra “call“. Esses resultados refletem uma sofisticação do ambiente regulamentar no país, com a entrada em vigor de importantes leis, como a Lei Anticorrupção”, avalia o relatório.

Criada há pouco mais de cinco anos, a chamada Lei da Empresa Limpa aborda não apenas corrupção, mas também outras ilicitudes contra a administração pública, responsabilizando pessoas jurídicas de qualquer porte e natureza, agindo no Brasil ou no exterior, explica o consultor Wagner Giovanini, sócio da consultoria Compliance Total.

Na prática, isso significa pagamento de multas elevadas e até o risco de dissolução de corporações que não cumpras as normas éticas. Não há cálculos precisos sobre o impacto da corrupção no orçamento das empresas, mas, para se ter uma ideia do prejuízo, estimativas indicam que a prática “rouba” da economia do país cifras acima de 100 bilhões de reais por ano.

Mais ética, menos prejuízos

O Mecanismo de Compliance, ou de Integridade, é responsável por definir a estrutura de gestão para evitar que isso aconteça. Ele também contribui para melhorar o ambiente de negócios, criar produtos mais competitivos e de maior qualidade, e, por consequência, aumentar o poder de investimentos, gerando mais empregos e movimentando a economia. “Nas grandes empresas e nas multinacionais, essa preocupação deu lugar  a medidas concretas, alcançando os funcionários por meio  de comunicação, treinamento  e sensibilização”, afirma Giovanin, que liderou o Programa de Compliance da Siemens no Brasil e nos países da América Latina .

Em 2016, a multinacional de tecnologia foi ligada a esquemas de corrupção, formação de cartel e outras ilicitudes em contratos públicos. O especialista conta que a reação foi imediata, com a implementação de diversos processos e controles baseados nos riscos identificados.

As políticas e os critérios foram escritos com uma linguagem simples, direta e acessível, em um plano de comunicação que incluiu treinamentos presenciais e on-line. “Um dos fatores críticos para o sucesso foi a estrutura organizacional montada para gerir o compliance. Também contamos com um canal de denúncia externo, grupo de investigadores internos e comitês de ética”, diz Giovanin. Segundo ele, a mudança na imagem foi rapidamente sentida, e os ganhos financeiros também.

Quando uma empresa decide investir em um programa de integridade, ela diminui riscos de perdas e aumenta o valor do negócio. Por esse motivo, a adoção de tais práticas é uma necessidade para qualquer negócio. E, independentemente do tamanho da companhia, os passos de, implementação são os mesmos ( veja quadro abaixo). “E essencial fazer uma avaliação do modelo de negócios, investigar quais são os pontos sensíveis, e, então, começar a pensar em como institucionalizar as práticas de acordo com a realidade do negócio”, afirma a advogada Renata Monteiro, presidente da consultoria empresarial Apsis. “O que está acontecendo no Brasil segue um pouco o que ocorreu nos Estados Unidos: a divulgação de práticas fraudulentas motivou ações da sociedade para inibir tais delitos, com a promulgação de leis específicas.

A chegada das empresas estrangeiras – com seus program as de integridade – definitivamente influenciou as empresas brasileiras a seguirem o mesmo caminho”, diz Renata.

Caminho para a integridade

passo a passo para implementar um programa de compliance na empresa

Fonte: Wagner Giovanini, sócio da consultoria Compliance Torai



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