BLOCKCHAIN: Quebrando paradigmas para sair da crise

Luiz Paulo Silveira em Apsis na mídia, Artigos Atualizado em 18.01.2018

Quantos empreendedores já passaram pela frustração de entrarem em um banco, abrirem uma nova conta para a empresa recém-criada e então descobrirem que não há crédito – pelo fato de sua empresa ser recém-criada?

Faz sentido? Se você é empreendedor e já passou por isso, talvez tenha saído do banco com a esperança de conseguir o incentivo para o seu negócio inovador dentro de uma agência ou banco de fomento. Chegando lá, descobriu que o banco de fomento não lida com pequenos como você, só com gigantes capitalizados e com capacidade comprovada de pagamento e garantias. Se você, mesmo assim, seguiu em frente e conseguiu o capital, parabéns! Podemos considerá-lo um herói, com direito a medalhas pela boa dose de persistência e sorte.

Um relatório divulgado recentemente, integrante da série periódica “Relatório Trimestral de Financiamento dos Investimentos no Brasil”, mostra que a situação acima, normal no cotidiano do médio empreendedor brasileiro em tempos normais, piorou, e muito, nestes tempos de crise e estagnação econômica prolongada. Segundo o estudo, a participação do BNDES caiu para míseros 5,6% do total financiado, sendo muito provável que quase nada foi para nosso herói acima. Nem vamos falar dos bancos privados para não perdermos tempo. Estão hipnotizados, e não é de agora, pelos juros pagos pelo nosso Tesouro e pelo velho hábito de emprestar para a população a juros módicos. Não querem saber do risco que nosso médio empreendedor acima representa.

A situação complica quando vemos que a única fonte de recursos historicamente disponível para o nosso herói, os recursos próprios oriundos de poupança e lucros, está secando. Em 2004, representava 64,9% do total financiado no país e, neste último relatório, responde apenas por  39,3% do total.

E de onde estão vindo os recursos, se nosso agente de fomento fechou a torneira e nossos investidores brasileiros estão mais pobres, mais medrosos e menos avessos a riscos de projetos? Dos investidores estrangeiros, lógico. O dinheiro continua abundante no mundo – um excesso nunca visto – à procura de rentabilidade e boas oportunidades. Estas fontes, que financiavam 17,4% dos projetos em 2004, agora financiam 31,1%.

Como fica, então, o médio empreendedor? Conseguirá acessar esses investidores estrangeiros? Infelizmente, a resposta é não – nem com toda persistência e toda a sorte do mundo. As plataformas atuais de captação destes recursos não estão acessíveis aos médios e pequenos. O novo ciclo de crescimento deste país só terá início quando estabelecermos essa ponte entre o capital e o pequeno e médio empreendedor.

E se existisse uma plataforma acessível a todos, à prova de fraudes, capaz de gerenciar um número infinito de contratos, sem preconceitos ou discriminação de qualquer tipo, democrática, com o único objetivo de aproximar projetos qualificados de investidores potenciais, no mundo inteiro?

Essa plataforma existe, e chama-se blockchain. Não, não estamos falando de bitcoins ou algumas outras criptomoedas, mas de uma aplicação mais responsável, os tokens. Ao contrário dos bitcoins e afins, os tokens possuem um lastro físico, um projeto. São como ações ou debêntures, controladas na blockchain através de contratos virtuais, os smart contracts. Essa modalidade simplificada de captação, acessível às startups e pequenas e médias empresas, é conhecida como ICO (Initial Coin Offer), em analogia ao IPO (Initial Public Offer), recurso utilizado somente pelas grandes companhias por conta do custo envolvido. Só em 2017 foram captados US$ 2 bilhões via ICOs até outubro no mundo, sendo que o Brasil ainda está fora dessa lista. Enfim uma luz no fim do túnel para nosso herói brasileiro! Quem vai ser o primeiro?

Anefac



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